Vinhos DOC Borgonha: entenda a hierarquia e a magia dos rótulos
- Aline Mendonça

- 23 de jan.
- 3 min de leitura
Atualizado: há 4 dias
Se você já se sentiu perdido diante de uma prateleira de vinhos franceses ou tentou decifrar um rótulo complexo, entender os vinhos DOC Borgonha é o segredo para transformar sua experiência.
Durante meus anos de estudo na Universidade de Dijon, aprendi que a Borgonha não vende apenas vinho; ela vende origem. Nesta região, o sistema de apelações protege a identidade de cada parcela de terra, e hoje vou te ensinar como essa hierarquia funciona na prática.
O que significa a AOC na Borgonha?
A sigla AOC (Appellation d'Origine Contrôlée) é a garantia de que o vinho que você está bebendo foi produzido seguindo regras rigorosas de uma zona geográfica específica. Na Borgonha, existem 84 AOCs diferentes!
Diferente do Novo Mundo (como Brasil ou Chile), onde o foco costuma ser a uva (Pinot Noir ou Chardonnay), aqui o foco é o lugar. O nome que aparece no rótulo é o nome da terra. O sistema de AOC protege essa tipicidade, garantindo que um vinho de Chablis tenha o frescor e a mineralidade que só aquele solo de ostras fósseis pode dar.
A pirâmide da qualidade: a hierarquia Borgonhesa
Para facilitar a sua vida, imagine uma pirâmide. Na base temos o volume e, no topo, a raridade.
Vinhos Regionais (Régionale)
Representam cerca de 50% da produção. São vinhos que podem vir de qualquer lugar da Borgonha. No rótulo, você lerá apenas "Bourgogne". São vinhos frescos, feitos para o dia a dia, excelentes para quem está começando a explorar a região.
Vinhos de Vilarejo (Village)
Aqui o funil começa a apertar. O vinho vem de um vilarejo específico, como Meursault ou Pomard. No rótulo, o nome do vilarejo é a estrela. São vinhos que já mostram a personalidade daquela vila específica.
Premier Cru
Estes vinhos vêm de parcelas de terra (climats) identificadas como superiores. Representam apenas 10% da produção. No rótulo, você verá o nome do vilarejo seguido pelo nome do vinhedo, como por exemplo: Puligny-Montrachet 1er Cru "Les Pucelles".
Grand Cru
A elite absoluta (apenas 1% da produção). São 33 vinhedos lendários que ganharam o direito de ter sua própria AOC. No rótulo, eles não precisam nem dizer o nome do vilarejo, apenas o nome do vinhedo basta, como Romanée-Conti ou Montrachet. É o ápice da expressão do terroir.
Como ler um rótulo de Borgonha sem medo
Ao olhar para um rótulo, procure sempre por estas três informações:
O Nome da Apelação: (Ex: Volnay).
O Nível de Classificação: (Se é Premier Cru ou Village).
O Nome do Produtor (Domaine): Na Borgonha, o produtor é quem dá o "toque final" ao que a natureza criou.
Perguntas frequentes sobre vinho DOC Borgonha (FAQ)
Qual a diferença entre AOC e AOP?
AOC é a sigla francesa (Appellation d'Origine Contrôlée). AOP é a sigla europeia (Appellation d'Origine Protégée). Na prática, para o vinho da Borgonha, elas significam a mesma coisa: proteção da origem e da qualidade.
Um Grand Cru é sempre melhor que um Premier Cru?
Em termos de hierarquia e potencial de guarda, sim. Porém, o vinho é uma experiência pessoal. Muitos Premier Crus de excelentes produtores podem ser tão emocionantes quanto um Grand Cru, com a vantagem de terem um preço mais acessível.
Por que os vinhos da Borgonha são mais caros?
Pela escassez e pelo trabalho artesanal. Como vimos na hierarquia, as áreas de Premier e Grand Cru são minúsculas. Produzem pouco vinho para uma demanda mundial gigantesca. Além disso, a manutenção desses vinhedos densos exige um cuidado quase manual, planta por planta.
Do campo ao luxo: a precisão artesanal que transforma o Vinho da Borgonha em artigo de exclusividade
Conclusão: a jornada pela taça
Entender as DOCs da Borgonha é como aprender um novo idioma: no começo parece difícil, mas depois você começa a enxergar a poesia por trás de cada nome. No meu trabalho de enoturismo, minha missão é traduzir essa hierarquia para você, levando-o para pisar na terra desses Grand Crus e sentir a diferença na taça.
A très bientôt!
Aline Mendonça
Formada em Degustação pelo Terroir, na Universidade de Dijon. Há 11 anos assessorando brasileiros na Borgonha. Especialista em vinhos da Borgonha e visitas na região.



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